Sobre John Mundell:

John A. Mundell é doutorando em Estudos Afro-americanos e da Diáspora Africana na Universidade da Califórnia, Berkeley, onde pesquisa masculinidades negras não-heteronormativas nas Américas, particularmente nos Estados Unidos, Brasil e Equador.  Antes de vir à UC Berkeley, morou três anos em Salvador, Brasil onde fez mestrado na Universidade Federal da Bahia (UFBA) em Estudos Étnicos e Africanos e tem poesias publicados em concursos nacionais brasileiros.  Inspirado pelo noviciado que fez sob a tutela da falecida escritora e ativista, Dra. Maya Angelou, durante seu mestrado em Educação na Universidade de Wake Forest, ele desenhou e ensinou na UFBA três cursos de poesia afro-estadunidense.  Na UC Berkeley ele também serve como professor assistente, dando aulas de Português para hispanofalantes.


Sobre o ensaio pessoal e os poemas de "O espelho despedaçado: cinco poemas para uma memória negra": 

O autor desta obra apresenta cinco poemas originais com um prefácio refletivo sobre o estado atual da negritude e sua memória no Brasil.  No prefácio, a memória aparece como enigma, uma decisão sobre o que lembrar e como lembrar ou então, totalmente esquecer, tanto do indivíduo bem como da nação.  O autor também se questiona a própria legitimidade, ele sendo escritor branco estadunidense escrevendo sobre a experiência negra, para depois tentar provocar o leitor a pensar teórica e literariamente sobre esse assunto racializado em pauta.  De fato, a memória negra é, ele argui, um dos temas mais importantes e menos tocados na soceidade brasileira, já que retrata um problema preocupante: a negação da pessoalidade ao negro.  Por isso, a memória do negro se faz inválida como ser independente, e apenas se legitima quando o Estado brasileiro a declara patrimônio da nação, assim abrindo o caminho para uma invasão pública.  Vê-se a cor negra como produto de outrora―particularmente através da  sexualidade―em vez de ser constantemente reproduzida culturalmente na atualidade, assim também tirando dessa memória o direito do tempo.  O escritor, dado essa situação, declara a poesia um gênero literário criativo já que sempre rememorará o que e como quiser, além de desrespetar a sintaxe cronológica.