A equipe editorial do volume 24 do Lucero passou este ano repensando as possibilidades do jornal acadêmico.  Como podemos dar acesso a um público maior e reunir um grupo mais diverso de respostas a questões críticas?  Nossas discussões levaram em conta o público que buscamos e nossa relação com ele, a chamada de trabalhos que lançamos, quais tipos de trabalhos se constituem uma exposição e como melhor apresentar esses trabalhos.  Rompendo-se com as constrições do puro acadêmico, nós decidimos expandir o jornal para incluir quaisquer gêneros críticos, criativos e emergentes.

Com essa ruptura em mente, nós pedimos trabalhos que respondessem ao tema da violência e as belas artes.  Os seis autores cujos trabalhos apresentamos discutem esse tema de várias formas diferentes.

No conto “Naranjas”, um narrador infantil presencia a violência acarretada por dois estranhos de farda militar que se aproximam ao pai dele enquanto está pescando, assim como a inconsciência da mãe dele daquilo que aconteceu enquanto ela se concentra na preparação de laranjas na cozinha.  A coleção de poesias “Inundaciones” explora a maneira em que a desigualdade socioeconômica determina o espaço, com interseções entre a agência humana e a natureza variando de acordo com essas divisões.  A memória emerge como uma questão comum nos ensaios críticos “La literatura como recodificación de la memoria corporal y la colectividad de una nación traumatizada en Una sola muerte numerosa”, que analisa os efeitos do terrorismo do estado na memória da nação na literatura argentina recente; Sounds and Memories of El Salvador’s Civil War in the Songs of Los Torogoces de Morazán, que retrata os músicos guerrilheiros de El Salvador que usam sua música para carregar a memória cultural e as memórias de guerra que outros meios midiáticos suprimem; e “El árbol-narrador en La sangre de Elena Quiroga: Lugar femenino de memoria y trauma en la posguerra española”, que encontra um testamento da experiência feminina nos primeiros anos da ditadura de Franco em um romance do início dos 1950.  Finalmente, um ensaio pessoal e poemas de “O espelho despedaçado: cinco poemas para uma memória negra” exploram a violência racial e o discurso de raça no Brasil, vinculando o processo do lembrar ao gênero criativo da poesia.

Como parte de nossa reestruturação e revigoração do Lucero, criamos este site que acomodará gêneros visuais, escritos e sônicos.  Os volumes passados do Lucero que foram digitalizados estão arquivados no eScholarship.  Os volumes impressos mais antigos estarão disponíveis sob pedido.  É nossa esperança que o Lucero continue evoluindo como um espaço para artes visuais, ensaios críticos, ficção, poesia, traduções, videografia, fotografia, músicas ou partituras, e também gêneros novos ou híbridos.

Agradecemos a todos os indivíduos que contribuíram a este volume do Lucero com seu trabalho, ideias e tempo.

 

A EQUIPE EDITORIAL, LUCERO VOL. 24

Departamento de Letras em Espanhol e Português, Universidade da California, Berkeley